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Abrindo Alas para as Melhores Músicas de Carnaval/Correio da Paraíba
27/01/2008 00h01

A pernambucana Maria Dapaz fez um levantamento entre as antigas marchinhas e frevos de Carnaval e gravou o CD “Ô abre alas”, em que interpreta as que considera as melhores destes gêneros. “Como compositora, me deu uma coceira e não pude deixar de incluir no disco duas músicas minhas”, brincou. E acrescentou: “Fui pelo ‘cheiro’, segui meu instinto para selecionar o repertório”, explicou a artista. O trabalho tem o selo da Atração Fonográfica.
É evidente que em um único disco não seria possível reunir todas as músicas consideradas excelentes, mas a seleção de Maria Dapaz traz pérolas em dois pout-pourris: “Índio quer apito”, “Pó de mico”, “Cabeleira do Zezé”; “Saca-rolha”, “Cachaça”, “Me dá um dinheiro aí”; “Ô abre alas”, “Marcha do remador”, “Allah-la-ô”; e “Aurora”, “Jardineira”, “Chiquita Bacana”. As composições da intérprete são: “Marcha do abacaxi”, uma daquelas canções com o clima do deboche carnavalesco, e o frevo de bloco “Cantiga pra Lua”.
Este é o quinto disco de Maria Dapaz pela gravadora Atração. A artista explicou que o novo trabalho foi feito a pedidos. “Nos shows sempre me pediam para cantar estas marchinhas e frevos, então achei que seria uma boa gravar um CD com as melhores”, contou. Entre os compositores relembrados, constam Chiquinha Gonzaga, Capiba, Nelson Ferreira, Luiz Bandeira, Noel Rosa, Heitor dos Prazeres, Zé Kéti, Max Nunes, e muitos outros. O jornalista Assis Ângelo escreveu: “O novo disco de Maria Dapaz é assim, cheio de pérolas. (...) O negócio, mesmo, é ir logo buscá-lo na primeira loja e espalhar da gostosura que é ouvi-lo”. As lojas da Paraíba ainda não têm o disco, mas ele pode ser adquirido, autografado ou não, através do site www.mariadapaz.com.
As canções do disco foram garimpadas entre vinis das décadas em que os bailes de carnaval estavam em alta. Maria Dapaz disse que muitos bons compositores “se perderam na poeira do tempo” e que a juventude de hoje não gosta porque não vivenciou aquilo. Para atrair estes jovens, a cantora contou com a ajuda do maestro Gibba Gouveia, que modernizou os arranjos dos clássicos selecionados. “Gibba é de uma linha pop, tem uma pegada moderna. Colocou guitarras, fez com que as músicas ficassem mais interessantes para essa galera entre 20 e 25 anos que costumam achar chatíssimas as gravações originais”, declarou.
De mãe para filho
Na opinião de Maria Dapaz, o Brasil não cuida bem de sua memória cultural. Ela contou que esteve em Caetanópolis, Minas Gerais, terra de Clara Nunes, e ficou triste porque as pessoas de lá não sabiam quem era a cantora. O que a surpreendeu foi a velocidade como se esquecem de alguns ícones da música brasileira.
Maria Dapaz tem uma coleção de cerca de 3 mil discos de vinil. Ela aprecia as estrelas da “Era do Rádio” como Emilinha Borba, Marlene e Dalva de Oliveira. Também admira o compositor Black Out e a voz do tenor Vicente Celestino. A cantora declarou que bebe nessa fonte e que os artistas do passado representam os alicerces da música brasileira.
Segundo Maria Dapaz, nos “pocket shows” que apresentou nas livrarias Saraiva e Cultura, a juventude a acompanhou cantando as músicas de “Ô abre alas”. “É uma coisa que passa de mãe para filho”, ressaltou. Ela acredita que mesmo sendo músicas antigas, a força das melodias contagia qualquer geração. (Breno Barros)

Autor: Breno Barros

Fonte: Correio da Paraíba/Cultura

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